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Fluminense F. F. Clube: não está sendo doce o mel

“Sou Tricolor de coração; Sou do clube tantas vezes campeão; Fascina pela sua disciplina; O Fluminense me domina; Eu tenho amor ao Tricolor.” Assim diz o hino do tricolor das laranjeiras, do clube “pó de arroz”, clube das elites “fluminenses” da sociedade carioca. Não é daquele Fluminense que vamos falar. O Fluminense ao qual nos referimos é o de Feira de Santana.

HISTÓRIA
Segundo informações colhidas (sic), o Fluminense de Feira Futebol Clube, foi fundado em 1941 por um grupo de jovens feirenses que eram torcedores do Fluminense do Rio de Janeiro. A paixão era tanta que as cores eram similares as do homônimo carioca. Fluminense aqui em Feira, por que mesmo? Poderiam perguntar alguns. Quiçá, falta de imaginação para a denominação de um clube nordestino. Diriam os autores deste escrito. Olhe que o nordeste é rico em denominações, tem um linguajar próprio. Fluminense? Nada a ver com a nossa cultura, com as nossas tradições. De qualquer modo, aceitemos Fluminense de Feira Futebol Clube e indagamos: Será que pelas bandas do sul teríamos um clube denominado Baiano de Niterói, por exemplo? Provavelmente não.

O tempo passou e em 1944, ou seja, três anos depois de fundado, o Touro do Sertão, como também é conhecido o clube, filiou-se à antiga Liga Feirense de Desportos Terrestres, atual Liga Feirense de Desportos (LFD). Em 1954 o clube foi profissionalizado e passou a disputar, também, o campeonato de futebol profissional que até hoje é promovido pela Federação Bahiana de Futebol, sendo campeão da competição em 1963 e 1969 e outras seis vezes vice-campeão (1956/68/71/90/91/02).

Além dos dois títulos conquistados no “Baianão”, o Touro do Sertão conquistou em 1998 a Taça Estado da Bahia; 2006 o título da Copa SERBA, competição promovida pelas federações de futebol de Sergipe e Bahia. Os representantes da Bahia foram Colo Colo, Bahia, Fluminense de Feira e Vitória; de Sergipe participaram Confiança, Guarany, Pirambu e Sergipe. Em 2009 e 2015, o Flu de Feira conquistou o título de campeão da Copa Governador do Estado da Bahia. Como amador, de acordo com a LFD, o clube tem oito títulos do campeonato municipal de futebol amador (1947/49/50/53/67/68/69/88), promovido pela Liga Feirense de Desportos.

Durantes 13 anos, segundo a história do próprio clube, disponível em https://www.fluminensedefeirafc.com.br/nossa-historia, o Flu de Feira foi o único time do interior a participar da primeira divisão do Campeonato Baiano. Somente a partir de 1967 outros clubes do interior juntaram-se ao Fluminense e aos grandes da capital para disputar a primeira divisão. É, também, o time do interior baiano com maior participação em competições nacionais tendo inclusive disputado o Campeonato Brasileiro em todas as suas divisões (A, B, C e D). Por duas vezes o Touro do Sertão foi vice-campeão da segunda divisão do campeonato baiano de futebol (1999 e 2015).

HISTÓRIA RECENTE
Com o último título de vice-campeão nacional da série C conquistado em 1992, de campeão baiano pela última vez em 1969 e do campeonato amador em 1988, a história recente do Touro do Sertão não tem sido muito louvável. O time enfrenta problemas dentro e fora de campo. No primeiro caso, a equipe enfrentou neste domingo, 18, em casa, a equipe Doce Mel e perdeu por 2 tentos a 1.

A partida foi válida pela oitava rodada do campeonato baiano e ficou conhecido como “jogo dos desesperados”. Ou seja, as duas equipes, Fluminense e Doce Mel, lutavam para fugir do rebaixamento para a segunda divisão do baiano em 2022. O Doce Mel levou a melhor e somou 9 pontos e não corre mais risco de cair; já o Touro, com apenas 5 pontos, na última colocação na tabela e faltando apenas o jogo da quarta-feira, 28, pela nona rodada do certame, terá que vencer o Vitória para continuar sonhando em permanecer na elite do Baiano.

Fora de campo, o Fluminense vive, smj, um dos piores momentos da história. SIC, o clube tem problemas de dívidas, sobretudo trabalhistas, e após a renúncia de dois ex-presidentes em menos de quatro meses (Ewerton Carneiro, o Tom, em dezembro de 2020 e Antonio Deraldo Conceição, Deraldão, em março de 2021), o clube realizará eleições nesta terça-feira, 20, para escolher novo presidente e vice-presidente s mandatos vão até dezembro próximo, segundo o estatuto da agremiação.

Vale destacar no que tange à eleição desta terça-feira, após esgotado o prazo estatutário para inscrição de chapa, apenas a chapa encabeçada pelo ex-procurador Icaro Ivinn se apresentou para concorrer ao cargo. Bom dizer que nesta segunda-feira, 19, tomamos conhecimento que circula nas redes sociais um áudio, não sabemos a autoria, em que um homem que se diz “torcedor do Touro”, diz entre outras coisas, que “não admite o Icaro Ivinn como presidente do Fluminense e que ele, Ivinn, vai retirar a candidatura dele amanhã, porque se ele não retirar onde ele estiver eu estarei”; promete, ainda, de acordo com o áudio, ”intervenção no clube”.

De fato, o Fluminense de Feira, esse clube maravilhoso, de pessoas abnegadas e apaixonadas, padece de outro mal: Gestão. Sim. Porque não passam nas suas diretorias, presidência, gestores. O que se observa ao longo de sua oscilante trajetória é o interesse político. Um clube de futebol não pode ser lastro para carreiras de aventureiros políticos. Seus dividendos não podem ser votos. Tem que ser vitórias, títulos, formação e consolidação de patrimônios, formação de atletas, lucros e retornos a investidores e, principalmente, alegrias e orgulho aos seus torcedores(as).

POR FIM...
Pela história recente do Fluminense de Feira, o Touro do Sertão, não agrada nem o símbolo. Enfim! Não é um carcará, um bode, um urubu, uma águia, um leão, ou mesmo um clube de aço. O Touro foi engolido pelo Lobo Guará em plena Joia da Princesa.

O fato é que o Fluminense de Feira, carinhosamente chamado, infelizmente tem sido abrigo passageiro para aventureiros políticos que, se o clube vai mal, abandonam-no, deixam o “barco” à deriva. A história tem mostrado que um clube de futebol tem que ter à frente dos seus destinos pessoas de visão empresarial, gestores que amem o esporte. Que transforme vitórias em títulos, não eleitorais, em atletas, não em vereadores, deputados, prefeitos. Que não façam das traves urnas eleitorais. Que a bola entre e balance as redes dos campos de futebol e não as redes sociais e o ego de políticos. Que os gols sejam comemorados nos gramados e sejam registrados no placar eletrônico dos estádios e não no placar dos tribunais eleitorais e/ou outros.

Afinal, na história recente do clube, depois do jogo deste domingo, 18, e com o que se apresenta para as eleições desta terça-feira, 20, no Fluminense de Feira Futebol Clube, salvo melhor Juízo (smj), não está sendo doce o mel.

FSA-BA, 19/04/2021.

Carlos Alberto S. Santos
Pedro Torres Filho
  


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